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O que é FODMAP?

Postado em 30 de maio de 2022 | Autor: Alweyd Tesser

O termo “FODMAP” se refere à uma sigla em inglês, que significa: oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis fermentáveis. Assim, agrupa tipos específicos de carboidratos de cadeia curta que são lentamente absorvidos ou não digeridos no intestino delgado.

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Fonte: Shutterstock

Os polióis (“álcoois de açúcar”), apesar de não serem carboidratos propriamente ditos, possuem sabor adocicado e são utilizadas na indústria como adoçantes artificiais.

Qual o mecanismo de ação dos FODMAP’s no organismo?

Quando fermentados pelos microrganismos que habitam o intestino grosso, os FODMAPs levam à uma maior produção de gases, como hidrogênio, metano e dióxido de carbono.

Além disso, também apresentam grande capacidade de atrair água no trato gastrintestinal, através de um efeito osmótico que gera a distensão luminal.

O consumo de FODMAPs também eleva a produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs), como propianato, butirato e acetato, que geralmente exibem muitos efeitos benéficos. No entanto, a produção excessiva pode aumentar a sensibilidade visceral e favorecer o aparecimento de contrações colônicas.

 

FODMAPs nos alimentos

Na tabela abaixo, estão exemplificados alimentos com altos teores de FODMAPs, além de alternativas com baixos níveis desses carboidratos.

Alimentos com altos teores de FODMAPsAlimentos com baixos teores de FODMAPs
 

 

Frutas

 

Abacate, amora, ameixa, caqui, cereja, damasco, figo, maçã, manga, melancia, nectarina, pera, pêssego, sucos de frutaAbacaxi, banana, carambola, coco, framboesa, kiwi, laranja, limão, mamão, maracujá, melão, mirtilo, morango, tangerina, uva
 

 

 

 

Legumes e vegetais

 

 

 

 

Aspargo, alcachofra, alho, beterraba, cebola, chicória, cogumelo, couve-flor, ervilha, milho, quiabo, vagem

 

Abobrinha, abóbora, acelga, alface, alho-poró, azeitona, batata, berinjela, broto de alfafa, broto de feijão, cebolinha (parte verde), cenoura, couve, erva-doce, espinafre, feijão-verde, gengibre, mandioca, nabo, pepino, pimenta, pimentão, tomate
 

 

 

Grãos, sementes e cereais

 

 

 

 

Centeio, cevada, cuscuz, feijão, soja, trigo

 

Aveia, arroz, chia, gergelim, grão de bico enlatado, lentilhas enlatadas, milho, painço, pão de milho, produtos sem glúten (pão, farinhas, massas), polenta, quinoa, sementes de abóbora, semente de girassol, tapioca, tempeh, tofu

 

 

 

Queijos e lácteos

 

Cream chesse, coalhada, iogurte, leite condensado, leite (vaca, cabra, ovelha), nata, pudim, queijo cottage, queijo fresco, ricota, sorvete

 

Brie, camembert, cheddar, feta, manteiga, leite e iogurte sem lactose, muçarela, parmesão, queijo de trigo, queijo suíço

 

 

Castanhas e nozes

 

 

Castanha de caju, pistache

 

Amendoim, macadâmia, manteiga de amendoim, nozes, pinhão

 

 

 

 

Condimentos e adoçantes

 

 

Alho, cebola, condimentos com trigo, frutose, ketchup, maionese, manitol, massa de tomate, mel, molho japonês, mostarda, sorbitol, xarope de milho rico em frutose, xilitol

 

Açúcar comum, aspartame, estévia, glicose, melaço, molho de ostra, molho de peixe, molho de soja sem glúten, néctar, óleos, suco de limão, vinagre (de champanhe, vinho tinto ou vinho branco), xarope de bordo, de frutose dourada e de milho dourado

 

 

 

 

Temperos e ervas

 

 

 

 

Alho e cebola em pó

 

Açafrão, alecrim, coentro, gengibre, hortelã, louro, manjericão, orégano, páprica, pimenta, pimenta caiena, pimenta vermelha em pó, sal, salsa, semente de mostarda, tomilho

 

 

Vale ressaltar que a composição dos FODMAPs é afetada por técnicas de processamentos de alimentos. Processos que envolvem aquecimento e água podem reduzir os teores de FODMAPs solúveis em água (como frutanos e GOS).

As porções também devem ser consideradas, pois uma ingestão excessiva de alimentos considerado “pobres” em FODMAPs pode aumentar o seu conteúdo na dieta.

Ademais, os produtos sem glúten costumam ter baixo teor de FODMAPs, exceto se contiverem mel ou adoçantes a base de frutose ou polióis.

 

Como é a dieta Low FODMAPs?

A dieta baixa em FODMAP foi criada na Austrália em 1999 para tratar pacientes com Síndrome do Intestino Irritável (SII). Ela inclui a redução da ingestão alimentar dos 5 principais subgrupos de carboidratos:

  • Frutose com excesso de glicose;
  • Lactose;
  • Polióis de açúcar (como sorbitol e manitol);
  • Frutanos;
  • Galactooligossacarídeos (GOS).

O objetivo da dieta baixa em FODMAP é ajudar os pacientes a controlar seus sintomas e, posteriormente, identificar os desencadeadores alimentares específicos. A dieta consiste num processo de três etapas:

  • Eliminação (fase inicial) – Os pacientes devem ser educados sobre formas de reduzir os alimentos ricos em FODMAP na dieta, geralmente por um período de 2 a 8 semanas. O objetivo é melhorar os sintomas.
  • Determinação das sensibilidades (fase de nova provocação) – Introdução gradual de FODMAPs na dieta para determinar o tipo e quantidade que podem ser tolerados antes de sentir sintomas. O objetivo é identificar os alimentos desencadeadores específicos para o indivíduo.
  • Personalização (fase de manutenção) – Reintrodução máxima de FODMAPs na dieta conforme tolerado, mantendo um bom controle dos sintomas. Alimentos que são moderadamente tolerados podem ser reintroduzidos ocasionalmente, enquanto alimentos que são mal tolerados devem continuar sendo evitados.

Com essa abordagem, baseada em restrições dietéticas personalizadas demonstradas pela tolerância do paciente, é mais provável que sejam compensados os efeitos adversos da dieta (inadequação nutricional, constipação, redução da fibra alimentar, etc).

 

Redução dos FODMAPs no tratamento de doenças

Como visto, a redução de FODMAPs é considerada uma abordagem dietética eficaz em adultos com Síndrome do Intestino Irritável (SII), principalmente quando os sintomas persistem apesar das mudanças de estilo de vida e outros aconselhamentos dietéticos. Essa estratégia promove um alívio significativo dos sintomas em comparação à outras dietas.

Alguns estudos sugerem ainda que a redução de FODMAPs na dieta pode beneficiar outras condições, como: doença celíaca, sensibilidade o glúten não celíaca, endometriose, cólica infantil, dispepsia funcional, fibromialgia, esclerodermia, síndrome da fadiga crônica, doença de Crohn e colite ulcerativa. Contudo, mais pesquisas ainda são necessárias.

Por fim, a orientação de um médico e de um nutricionista é essencial para o diagnóstico e o tratamento correto.

 

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Referências:

BELLINI, Massimo et al. A Low-FODMAP Diet for Irritable Bowel Syndrome: Some Answers to the Doubts from a Long-Term Follow-UpNutrients, v. 12, n. 8, p. 2360, 2020.

BELLINI, Massimo et al. Low FODMAP Diet: Evidence, Doubts, and HopesNutrients, v. 12, n. 1, p. 148, 2020.

Hospital Brasília. Cartilha: Dieta com Restrição de FODMAP. Núcleo Especializado em Doenças Intestinais Complexas (NEDIC).

MAKHARIA, Govind et al. Dieta e intestino. World Gastroenterology Organisation, 2018.

PENSABENE, Licia et al. Low FODMAPs diet for functional abdominal pain disorders in children: critical review of current knowledgeJornal de pediatria, v. 95, p. 642-656, 2019.

 

Bibliografia

O que é FODMAP? Sociedade Brasileira de Nutrição Enteral e Parenteral. Disponível em: http://www.sbnpe.com.br/comite-de-nutricao/99-o-que-e-fodmap. Acessado em: 31/07/2015

Chumpitazi BP, Cope JL, Hollister EB, Tsai CM, McMeans AR, Luna RA, et al. Randomised clinical trial: gut microbiome biomarkers are associated with clinical response to a low FODMAP diet in children with the irritable bowel syndrome. Aliment Pharmacol Ther. 2015; 42(4):418-27.

Marsh A, Eslick EM, Eslick GD. Does a diet low in FODMAPs reduce symptoms associated with functional gastrointestinal disorders? A comprehensive systematic review and meta-analysis. Eur J Nutr. 2015 [Epub ahead of print].

Whigham L, Joyce T, Harper G, Irving PM, Staudacher HM, Whelan K, et al. Clinical effectiveness and economic costs of group versus one-to-one education for short-chain fermentable carbohydrate restriction (low FODMAP diet) in the management of irritable bowel syndrome. J Hum Nutr Diet. 2015 [Epub ahead of print].

Rao SS, Yu S, Fedewa A. Systematic review: dietary fibre and FODMAP-restricted diet in the management of constipation and irritable bowel syndrome. Aliment Pharmacol Ther. 2015; 41(12):1256-70.

Mansueto P, Seidita A, D’Alcamo A, Carroccio A. Role of FODMAPs in Patients With Irritable Bowel Syndrome: A Review. Nutr Clin Pract. 2015 [Epub ahead of print]

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