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O que significa FODMAP?

Postado em 31 de julho de 2015

FODMAP é um acrônimo para um conjunto de carboidratos osmóticos que podem ser de difícil digestão para algumas pessoas: Fermentable Oligosaccharides, Disaccharides, Monosaccharides and Polyols.
 
Os alimentos fermentáveis referidos são os carboidratos não digeridos pelo trato digestivo humano. Os oligossacarídeos são os Fruto-oligossacarídeos (FOS) e os Galacto-oligossacarídeos (GOS). Dentre os dissacarídeos se inclui a lactose, e dos monossacarídeos a frutose. O grupo dos polióis é representado principalmente pelo sorbitol e manitol. Esses alimentos são de alta osmolaridade ou possuem substratos rapidamente fermentados por micro-organismos intestinais.
 
A alta osmolaridade atrai muita água para o intestino delgado e pode desencadear diarreia, enquanto os substratos rapidamente fermentados por bactérias no intestino grosso podem desencadear sintomas como distensão abdominal, flatulência e cólica abdominal. Estes sintomas são extremamente prevalentes nos pacientes com Síndrome do Intestino Irritável (SII), e por isso a maior parte dos estudos relaciona redução destes sintomas após dieta com baixo teor de FODMAP em pacientes com SII.
 
A dieta de baixo FODMAP é prescrita temporariamente, até que os alimentos gatilhos sejam identificados. Isso porque a carga prebiótica da dieta é baixa, o que pode levar a quadros de constipação e disbiose caso ela seja mantida por muito tempo.
 
Na estratégia da dieta com baixo teor de FODMAP, retiram-se da dieta todos os alimentos contidos numa grande lista. Orienta-se o paciente a seguir com a dieta por 4 a 6 semanas, e depois a introdução desses alimentos acontece gradativamente, por grupos e em baixa quantidade. Inicia-se por frutose, lactose, sorbitol e manitol. Após, continua-se com fructanas e GOS (rafinose). Deve-se tentar aumentar as quantidades de cada grupo até a tolerância máxima.
 
Estudos recentes comprovam a eficácia da exclusão temporária de alimentos ricos em FODMAPs na redução de sintomas gastrointestinais em pacientes com SII. Para cerca de 75% dos pacientes as queixas de sintomas gastrointestinais diminuem para quase metade.
 
Existem outras condições que ainda estão sendo estudadas e que estão relacionadas aos sintomas, como a intolerância ao glúten na ausência da doença celíaca e a dificuldade na digestão de algumas substâncias como a cafeína. Quanto à condição de intolerância ao glúten na ausência de testes confirmatórios para a doença celíaca, há grande possibilidade da intolerância de base ser exclusiva ao trigo – não ao glúten! A intolerância ao glúten não celíaca, seria na verdade um tipo de intolerância FODMAP.
 
Existem diversas listas que classificam alimentos como ricos ou pobres em FODMAPS. Segue abaixo tabela com resumo destas informações, com adaptações para população brasileira:
Fonte: Sociedade Brasileira de Nutrição Enteral e Parenteral

 

Bibliografia

O que é FODMAP? Sociedade Brasileira de Nutrição Enteral e Parenteral. Disponível em: http://www.sbnpe.com.br/comite-de-nutricao/99-o-que-e-fodmap. Acessado em: 31/07/2015

Chumpitazi BP, Cope JL, Hollister EB, Tsai CM, McMeans AR, Luna RA, et al. Randomised clinical trial: gut microbiome biomarkers are associated with clinical response to a low FODMAP diet in children with the irritable bowel syndrome. Aliment Pharmacol Ther. 2015; 42(4):418-27.

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Mansueto P, Seidita A, D’Alcamo A, Carroccio A. Role of FODMAPs in Patients With Irritable Bowel Syndrome: A Review. Nutr Clin Pract. 2015 [Epub ahead of print]

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