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Infecções respiratórias: Qual o papel da microbiota intestinal?

Postado em 16 de novembro de 2020 | Autor: Natalia Lopes

Infecções respiratórias atingem indivíduos de todas as idades

Infecções respiratórias (IR) comprometem o trato e órgãos do sistema respiratório e podem interferir na respiração normal. As IR atingem indivíduos de todas as idades, porém os grupos de maior risco incluem crianças, cujo sistema imunológico ainda não está bem formado; idosos, devido a imunossenescência; e indivíduos imunocomprometidos.  IR podem ser acompanhadas por grande desconforto aos pacientes resultando em prejuízos econômicos, devido aos dias perdidos no trabalho e busca por assistência médica. Assim, IR implica em elevado número de consultas ambulatoriais, internações hospitalares e prescrições de antibióticos. Por estas razões IR são consideradas importante problema de saúde pública mundial.

As IR podem ser divididas em infecções das vias aéreas superiores (IVAS) e infecções das vias aéreas inferiores (IVAI). As IVAS afetam a parte superior do trato respiratório, incluindo a cavidade nasal, narinas, a faringe e a laringe, e incluem resfriado comum, faringite aguda, laringotraqueobronquite aguda, epiglotite aguda (ou supraglotite) e sinusite aguda. Já as IVAI atingem as vias aéreas abaixo da laringe, incluindo brônquios e pulmões, causando pneumonia, bronquite, bronquiolite e tuberculose.

  1. Quais são as complicações relacionadas com as infecções respiratórias?

As IR estão relacionadas com elevada incidência de mortalidade em todo o mundo. Segundo a OMS, em países em desenvolvimento, as IR são responsáveis por 1,5 milhões de mortes por ano. Entre os idosos, em 2018, a mortalidade por IVAI atingiu mais de um milhão de indivíduos. No Brasil, em 2011 foram registradas 2.435 mortes por infecções respiratórias agudas em crianças menores de 5 anos.

Observa-se que as IVAS podem se complicar em IVAI, o que inclui a pneumonia. Ademais, o uso frequente de antibióticos, no tratamento das IRs, pode se acompanhar de efeitos adversos, incluindo diarreia, prurido e resistência microbiana, que necessitam de tratamentos paralelos e adicionais.

  1. Como podemos prevenir as infecções respiratórias?

As infecções respiratórias, por sua relação estreita com o ambiente, podem ser prevenidas. Existem muitas estratégias de prevenção, para diferentes faixas etárias, que incluem: alimentação adequada, melhora nas condições e estilo de vida, com redução de aglomerações humanas, menor exposição à fumaça do tabaco e poluição do ar em ambientes fechados e vacinação. Nos casos específicos, controle de outras infecções (HIV) e tratamento adequado a pacientes imunossuprimidos. Particularmente, o consumo de produtos contendo Lactobacillus casei defensis também está associado com redução na incidência, duração e gravidade das infecções respiratórias.

  1. Como esses lactobacilos ajudam a prevenir as infecções respiratórias?

Sabe-se que o intestino é habitado por milhões de microrganismos, benéficos e patogênicos, com plena interação.  O desequilíbrio na composição entre estes microrganismos,  geralmente,  é associado a efeitos nocivos ao hospedeiro, através de mudanças qualitativas e quantitativas na microbiota, mudanças nas suas atividades metabólicas e também da distribuição dos microrganismos, com queda dos benéficos e ou predominância dos patogênicos.

Lactobacillus casei defensis podem contribuir para diminuir a incidência e/ou gravidade de infecções comuns, incluindo infecções respiratórias agudas, por meio de modulação do sistema imunológico, interações com a microbiota intestinal, produção de ácidos orgânicos, melhora da função de barreira intestinal, produção de pequenas moléculas com efeitos sistêmicos e de enzimas, além de também contribuírem para o controle do crescimento de bactérias potencialmente patogênicas.

O efeito dos Lactobacillus casei defensis sobre a duração de infecções respiratórias e gastrointestinais foi investigado por Guillemard e colaboradores, em estudo multicêntrico duplo-cego envolvendo 1072 voluntários idosos. O grupo que consumiu diariamente, por 3 meses, 200g de leite fermentado contendo 1010 UFC de Lactobacillus casei defensis , apresentou menor duração de IVAS que o grupo controle. Resultados similares foram observados em adultos estressados, que também apresentaram redução de infecções agudas após o consumo diário, por 3 meses,  de 200g do mesmo leite fermentado enriquecido com Lactobacillus casei defensis.

Em particular, o efeito, deste leite fermentado contendo Lactobacillus casei defensis, foi investigado em relação a geração de anticorpos perante a vacina da gripe.  Boge e colaboradores acompanharam 308 idosos, que ingeriram diariamente 200g de leite fermentado contendo o Lactobacillus casei defensis , por 4 semanas e a seguir foram vacinados contra a gripe. O estudo continuou por 13 semanas após a vacinação. Os idosos do grupo que recebeu o leite fermentado contendo Lactobacillus casei defensis, quando comparados ao grupo controle, apresentaram maior contagem no número de anticorpos específicos para influenza após a vacinação.

Vale destacar que o consumo desses leites fermentados deve estar associado a hábitos e estilo de vida saudáveis. Alimentação adequada, em relação a adequação calórica e equilíbrio entre macro e micronutrientes, é fundamental para manutenção de  sistema imunológico funcionante  e consequente prevenção de infecções agudas, como as infecções respiratórias. Além disso, o consumo de vitamina C, vitamina D e zinco, também parecem ter efeito benéfico sobre o funcionamento do sistema imunológico.

 

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Referências

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