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Diretrizes práticas para acompanhamento da doença renal crônica

Postado em 10 de abril de 2024

Saiba como orientar os cuidados de doentes renais, desde a classificação da doença até o retardo da sua progressão.

Entre 1990 a 2019, a doença renal crônica (DRC) passou de 19ª para a 11ª posição entre as principais causas de mortalidade. Ao total, estima-se que a doença seja responsável por 41,5 milhões de falecimentos ao redor do mundo. 

Para mudar essa triste realidade, esforços em torno da conscientização da avaliação e do gerenciamento da DRC são necessários. 

diretrizes doença renal crônica

Fonte: Canva.com

Sendo assim, o grupo KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes) atualizou suas diretrizes práticas de 2012 sobre esta temática. Neste novo material, os especialistas trazem informações atualizadas e de alta qualidade para guiar profissionais de saúde nos cuidados dos pacientes com DRC. 

A seguir, confira os principais pontos levantados pelo guideline.

Doença renal crônica: o que é?

Define-se a doença renal crônica como a presença de anormalidades na estrutura ou função dos rins, por um período mínimo de 3 meses, com implicações para a saúde.

Nesse sentido, os marcadores de dano renal incluem:

  • Albuminúria (relação albumina/creatinina ≥ 30 mg/g)
  • Taxa de filtração glomerular < 60 ml/min/1.73 m²
  • Anormalidade nos sedimentos urinários
  • Hematúria persistente (sangue na urina)
  • Anormalidades detectadas por histologia
  • Anormalidades estruturais detectadas por imagens
  • Anormalidades eletrolíticas (e outras) por conta de distúrbios tubulares
  • Histórico de transplante renal

Como classificar a doença renal crônica?

A DRC é classificada conforme os níveis de albuminúria e TFG, de acordo com as tabelas abaixo.

Tabela 1. Classificação da DRC de acordo com a TFG

ClassificaçãoTFG (ml/min/1.73m²)Resultado
G1≥90Normal ou alta
G260 a 89Ligeiramente diminuída
G3a45 a 59Ligeira a moderadamente diminuída
G3b30 a 44Moderada a severamente diminuída
G415 a 29Severamente diminuída
G5<15Falência renal

Tabela 2. Classificação da DRC de acordo com a albiminúria

ClassificaçãoAER (mg/24h)ACR (mg/g)Resultado
A1<30<30Normal a moderadamente diminuída
A230 a 30030 a 300Moderadamente diminuída
A3>300>300Severamente diminuída

AER: taxa de excreção de albumina; ACR: relação albumina/creatinina.

Como avaliar a DRC?

Os especialistas recomendam testar pessoas em risco e com doença renal crônica (DRC) usando tanto os níveis de albumina na urina quanto a avaliação da taxa de filtração glomerular (TFG).

Em adultos em risco para DRC, recomenda-se a estimativa de TFG com base em creatinina (eGFRcr). Se a cistatina C estiver disponível, a categoria de TFG deve ser estimada a partir da combinação de creatinina e cistatina C (eGFRcr-cistatina C).

Contudo, não se deve diagnosticar DRC baseado em um único nível anormal de TFG e albumina, pois pode ser resultado de um evento recente de lesão renal aguda ou doença renal aguda.

Nesse sentido, a prova de cronicidade (duração mínima de 3 meses) pode ser estabelecida por:

  • Revisão de avaliações/estimativas anteriores de TFG
  • Revisão de avaliações anteriores de albuminúria ou proteinúria e exames microscópicos de urina
  • Achados de imagem, como redução do tamanho renal e redução na espessura cortical
  • Achados patológicos renais, como fibrose e atrofia
  • Histórico médico, especialmente condições conhecidas por causar ou contribuir para a DRC
  • Repetição de avaliações dentro e além do ponto de 3 meses

Monitoramento da DRC

Em pacientes com doença renal crônica, novas avaliações de albuminúria e TFG devem ser realizadas pelo menos anualmente.

Nesse contexto, uma alteração >20% na TFG ou uma duplicação no valor da relação albumina/creatinina (ACR) excede a variabilidade esperada, justificando uma avaliação aprofundada.

Em pessoas com DRC G3–G5, indica-se o uso de uma equação de risco validada para estimar o risco absoluto de insuficiência renal (IR). A decisão clínica deve ser basear no resultado desta equação, sendo:

  • Risco de IR em 5 anos de 3 a 5%: determinar a necessidade de encaminhamento para nefrologia
  • Risco de IR em 2 anos >10%: determinar o momento do atendimento multidisciplinar
  • Risco de IR em 2 anos >40%: determinar a modalidade de educação, momento da preparação para terapia de substituição renal, incluindo planejamento de acesso vascular ou encaminhamento para transplante

Atrasando a progressão da doença renal crônica

Os autores recomendam o tratamento da DRC com estratégias abrangentes, que evitem sua progressão e complicações (doenças cardiovasculares, hospitalização, gota, infecções, etc).

Uma das estratégias defendidas é a realização da atividade física compatível com a saúde cardiovascular, tolerância e nível de fragilidade. Exercícios de intensidade moderada, por pelo menos 150 minutos por semana, podem ser consideráveis.

Para pessoas acima do peso, o alcance do IMC ideal é altamente recomendável. Além disso, defende-se o abandono do tabagismo, e encaminhamento para profissionais e programas de saúde (psicólogos, nutricionistas renais, fisioterapeutas, etc).

Os autores também recomendam o uso de fármacos, com base no contexto clínico de cada paciente. Por exemplo, os inibidores do sistema renina-angiotensina são orientados para pessoas com DRC, albuminúria gravemente aumentada e sem diabetes. Já os inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 servem para doentes renais com DM2 e eGFR ≥20 ml/min/1,73m².

Por fim, os autores fornecem recomendações dietéticas importantes para pacientes com DRC. Para saber mais, baixe o infográfico gratuito: Recomendações Nutricionais na Doença Renal Crônica.

Para ler a diretriz completa, clique aqui.

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Referência:

Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) CKD Work Group. KDIGO 2024 Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease. Kidney Int. 2024 Apr;105(4S):S117-S314. doi: 10.1016/j.kint.2023.10.018. PMID: 38490803.

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