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GLIM: Orientação para Avaliação do Critério Etiológico da Inflamação

Postado em 7 de fevereiro de 2024

Nova diretriz GLIM traz recomendações para avaliar a inflamação e diagnosticar desnutrição.

Desde a divulgação inicial dos critérios GLIM para diagnóstico de desnutrição, algumas dúvidas surgiram entre os profissionais de saúde. Dentre elas, a avaliação da inflamação como um critério etiológico pode causar grande confusão, seja pelas orientações limitadas, seja pela diversidade de métodos disponíveis.

Apesar deste conflito de informações, há décadas se reconhece a inflamação como um contribuinte chave para o desenvolvimento da desnutrição. O aumento do catabolismo, o elevado gasto energético de repouso e a alteração no metabolismo de micronutrientes contribui fortemente para a degeneração do estado nutricional. 

avaliação da inflamação

Fonte: Canva.com

Sendo assim, para preencher essa lacuna, o grupo de trabalho GLIM desenvolveu novas recomendações para avaliar a inflamação. Com ajuda de outras sociedades globais de nutrição clínica, sete declarações foram estabelecidas. Conheça-as a seguir.

Marcadores laboratoriais não são sempre necessários

Em primeiro lugar, os especialistas esclarecem que a presença de qualquer doença, infecção ou lesão aguda ou crônica relacionada à atividade inflamatória já preenche o critério da inflamação. Nesse caso, não é necessário a confirmação por marcadores laboratoriais. 

Se os testes laboratoriais estiverem disponíveis, eles podem ser utilizados em casos incertos, para confirmar o caráter inflamatório da doença ou condição. Contudo, não são indispensáveis.

Quais condições se associam à inflamação?

A confirmação da inflamação deve ser orientada pelo julgamento clínico com base no diagnóstico ou condição subjacente, sinais clínicos ou marcadores laboratoriais. 

Nesse sentido, algumas das condições associadas à inflamação são descritas na tabela abaixo.

Inflamação aguda e grave

Doença crítica, infecção/sepse grave, síndrome do desconforto respiratório agudo, queimaduras graves, cirurgia abdominal de grande porte, politraumatismo, traumatismo craniano fechado grave, pancreatite aguda grave
Inflamação aguda e moderadaDoenças crônicas complicadas por exacerbações agudas moderadas ou novas apresentações agudas com inflamação moderada associadas à doença de Crohn, condições reumatológicas, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), pancreatite, diabetes, infecções, feridas
Inflamação crônica leve a moderadaInsuficiência cardíaca congestiva, fibrose cística, DPOC, doença de Crohn, doença celíaca, artrite reumatóide, diabetes, obesidade abdominal, síndrome metabólica, malignidades, infecções como tuberculose, HIV/AIDS, feridas por pressão, doença periodontal, doenças crônicas, doença renal, cirrose hepática, pancreatite leve/moderada, falência/transplante de órgãos.

Quais são as condições sem inflamação clara ou perceptível?

Algumas condições não têm componentes inflamatórios claros ou perceptíveis. Portanto, não preenchem o critério para avaliação da inflamação, a menos que sejam confirmadas por análises laboratoriais. São exemplos:

  • Diagnósticos psiquiátricos (como anorexia nervosa e depressão)
  • Condições de má absorção, obstrutivas ou de dismotilidade (como estenose esofágica, síndrome anatômica do intestino curto e pseudo-obstrução intestinal)
  •  Condições neurológicas (como disfagia após AVC)

Em seguida, os autores também citam a fome, a pobreza e a guerra como condições  que carecem de componentes inflamatórios, mas muitas vezes resultam em desnutrição.

Quais são os exames marcadores de inflamação?

O principal marcador indicado para avaliação da inflamação é a PCR (proteína C reativa), nos casos em que o componente inflamatório for incerto. 

Para condições agudas, níveis de PCR ≥10x superiores ao valor de referência apoiam a presença de inflamação aguda moderada a grave. Enquanto níveis de PCR de 10 a 50 mg/L atendem ao critério de inflamação aguda moderada, níveis superiores a 50 mg/L suportam inflamação aguda grave. 

Por fim, medidas seriadas de 3 a 9,9 mg/L e 10 a 50 mg/L apoiam inflamação crônica leve e moderada, respectivamente.

Outros indicadores alternativas para a avaliação da inflamação incluem interleucina-6, relação neutrófilos/linfócitos, contagens de linfócitos T (CD3+), albumina, relação albumina/PCR, hiperglicemia, hiperinsulinemia, índice HOMA e cinética do ferro (Fe, ferritina e transferrina).

Conclusão

Em resumo, a avaliação da inflamação deve se pautar no julgamento clínico, com base no diagnóstico de condições inflamatórias, presença de sinais clínicos ou análise laboratorial baseado no diagnóstico ou condição subjacente, sinais clínicos ou PCR.

Para ler a diretriz completa, clique aqui

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Referência:

Jensen GL, Cederholm T, Ballesteros-Pomar MD, Blaauw R, Correia MITD, Cuerda C, Evans DC, Fukushima R, Gautier JBO, Gonzalez MC, van Gossum A, Gramlich L, Hartono J, Heymsfield SB, Jager-Wittenaar H, Jayatissa R, Keller H, Malone A, Manzanares W, McMahon MM, Mendez Y, Mogensen KM, Mori N, Muscaritoli M, Nogales GC, Nyulasi I, Phillips W, Pirlich M, Pisprasert V, Rothenberg E, de van der Schueren M, Shi HP, Steiber A, Winkler MF, Compher C, Barazzoni R. Guidance for assessment of the inflammation etiologic criterion for the GLIM diagnosis of malnutrition: A modified Delphi approach. JPEN J Parenter Enteral Nutr. 2024 Jan 15. doi: 10.1002/jpen.2590. Epub ahead of print. PMID: 38221842.

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