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Perfil de biomarcadores relacionados a doenças é diferente em vegetarianos e onívoros

Postado em 29 de julho de 2021 | Autor: Eduarda Rodrigues| Tempo de leitura: 3min

Foram recrutados 500.000 participantes de diversas partes do Reino Unido

biomarcadores

Alguns estudos anteriores mostram que indivíduos vegetarianos quando comparado a os onívoros, tem-se um menor risco de desenvolver doenças como diabetes, cardiopatias e o câncer, e uma maior probabilidade de ter fraturas e acidente vascular cerebral. No entanto, a relação entre a dieta consumida e a sua influência em certas comorbidades ainda está pouco clara na literatura atual. Nessa narrativa, as diferentes concentrações de biomarcadores de patologias seriam úteis para prever possíveis doenças entre esses dois grupos.

Partindo disso, pesquisadores desenvolveram um estudo que tinha como objetivo observar as diferentes concentrações de biomarcadores de doenças cardiovascular, óssea e articular, câncer, diabetes, doença renal e hepática entre vegetarianos com diversos graus de exclusão de alimentos de origem animal e indivíduos onívoros.

No estudo foram recrutados ao menos 500.000 voluntários de diversas partes do Reino Unido entre 2006 a 2010 e em idade entre 40 a 69 anos. Os participantes divididos em etnia (Brancos e indianos) foram classificados de acordo com o grau de exclusão e a frequência do consumo de alimentos de origem animal, conforme o questionário alimentar realizado no ato do recrutamento. Também foram coletados exames de sangue e urina para analise de 34 biomarcadores, onde foram agrupados de acordo com a comorbidade, como vemos a seguir:

-Doenças cardiovasculares: colesterol total, colesterol LDL, colesterol HDL, triglicerídeos, apolipoproteína A1 (ApoA1), apolipoproteína B (ApoB), proteína C reativa, lipoproteína (a).

-Doença óssea e relacionada com a articulação: vitamina D (25-hidroxivitamina D), fator reumatóide, fosfatase alcalina (ALP), cálcio.

-Câncer: globulina de ligação do hormônio sexual (SHBG), testosterona, estradiol, fator de crescimento semelhante à insulina I (IGF-I).

– Diabetes: HbA1c (Hemoglobina glicada) e glicose.

-Doença renal: cistatina C, creatinina sérica, proteína total, ureia, fosfato, urato, creatinina urinária, sódio urinário, microalbumina urinária, potássio urinário.

-Doenças hepáticas: albumina, bilirrubina direta, biomarcadores de bilirrubina total, γ-glutamiltransferase (GGT), alanina aminotransferase (ALT), aspartato aminotransferase (AST).

Após a análise dos resultados, observaram que indivíduos onívoros e os que consumiam carnes com certa regularidade tinham valor aumentado da concentração de alguns biomarcadores quando comparados com indivíduos veganos e vegetarianos. A maior alteração deu se nos marcadores de doenças cardiovasculares onde a proteína C reativa e colesterol de baixa densidade (LDL) se encontraram em menor quantidade em indivíduos vegetarianos (1,13 mg/L e 3,13 mmol/L) quando comparados com os aos não vegetarianos (1,43 mg/L e 3,65 mmol/L), nos marcadores de doenças ósseas (Vitamina D = 34,4 ≠ 44,5), doenças renais (creatinina urinária e ureia sérica = 5440 μmol /L e 4,21 mmol/L ≠ 7280 μmol /L e 5,36 mmol/L  respectivamente) e no marcador de doença hepática (γ- glutamiltransferase 23,5 U/L ≠ 29,6 U/L).

Com isso os pesquisadores concluíram que as diferenças encontradas entrem os biomarcadores relacionados a patologias, reflete que a forma como nós alimentamos pode interferir futuramente na saúde como um todo.

Referência

Tammy YN Tong, Aurora Perez-Cornago, Kathryn E Bradbury, Timothy J Key. Biomarker Concentrations in White and British Indian Vegetarians and Nonvegetarians in the UK Biobank. The Journal of Nutrition , 2021.

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