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Qual a relação entre antioxidantes e câncer?

Postado em 18 de março de 2017 | Autor: Alweyd Tesser

Frutas espalhadas

As etapas de iniciação, promoção e progressão de carcinogênese têm sido comumente associadas ao estresse oxidativo, em que o excesso de espécies reativas de oxigênio (ERO) promove dano tecidual e produção de compostos prejudiciais aos tecidos. No organismo, o estresse oxidativo ocorre quando há desequilíbrio entre os sistemas pró-oxidantes (aumento) e antioxidantes (diminuição).

No câncer, as ERO também contribuem para o aumento da proliferação celular através de mutações sobre o DNA, resultando em progressão tumoral. Todavia, o desbalanço oxidativo pode ser melhor gerenciado por meio da oferta de nutrientes antioxidantes, capazes de neutralizar os efeitos deletérios das ERO.

Os antioxidantes atuam de maneiras diversas contra as ERO, especialmente através de três linhas de defesas orgânicas. A primeira é por intermédio da prevenção, caracterizada pela inibição da produção de substâncias nocivas. A segunda, é a interceptação, em que os antioxidantes interceptam a atividade das ERO. E a terceira e última, é o reparo, que acontece quando as duas primeiras linhas não foram totalmente efetivas.

Análises demonstram que pacientes com câncer apresentam níveis diminuídos de compostos antioxidantes. As enzimas antioxidantes,dependentes de selênio e zinco, que antagonizam o estresse oxidativo, também se encontram em níveis baixos nas células tumorais. Nesse sentido, tem sido demonstrado que o selênio pode interagir com as vitaminas A e E na prevenção do desenvolvimento de tumores.

Com relação aos antioxidantes presentes nos vegetais, os compostos fenólicos, com destaque para o ácido caféico, o ácido gálico e o ácido elágico, possuem capacidade de sequestrar os radicais livres e podem inibir o processo de peroxidação lipídica. O ácido elágico tem sido efetivo na prevenção do desenvolvimento do câncer induzido por substâncias do cigarro.

Postula-se que a vitamina E possa contribuir para a inibição da tumorigênese, devido a sua ação antioxidante, anti-inflamatória e pró-apoptótica. Já o mecanismo de proteção da vitamina A na carcinogênese, pode estar associado à regulação da diferenciação celular, prevenindo a proliferação das células com características de malignidade.

Com relação a isto, foi demonstrado em análise, que mulheres com câncer de mama apresentavam consumo diminuído de vitamina E e vitamina A, antioxidantes que podem contribuir no mecanismo de neutralização do perfil pró-oxidativo da doença. No câncer de próstata, diferentes formas de vitamina E, como alfa e gama tocoferol, parecem contribuir de maneira importante na diminuição do risco da doença.

Por fim, é necessário que mais estudos sejam realizados acerca do tema, objetivando a elucidação do mecanismo de ação dos antioxidantes no gerenciamento dos cânceres.

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