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Guia para prescrição de dieta parenteral

Postado em 24 de janeiro de 2022

A nutrição parenteral é indicada sempre que a via oral ou enteral não for viável

Prescrição de dieta Parenteral

Fonte: Shutterstock

Sempre que a alimentação oral é insuficiente para promover a recuperação ou manutenção do estado nutricional, ou quando essa é contraindicada, a Terapia Nutricional (TN) é considerada.

A partir daí, a equipe multiprofissional deve avaliar a via de administração, o estado do paciente e a função do trato gastrointestinal (TGI) e, assim, escolher a melhor via para a administração da dieta, podendo ser a nutrição enteral (NE) ou a nutrição parenteral (NP).

Nesse guia produzido pelo Nutritotal Pro, abordaremos a prescrição da dieta parenteral, mostrando quando ela é indicada, as contraindicações e fatores a serem considerados na hora de sua prescrição.

A Nutrição Parenteral

Desenvolvida em 1960, a NP foi idealizada para atender paciente em desnutrição grave, devido a caquexia ou câncer avançado, com a função do TGI obstruída ou insuficiente.

A via de administração é intravenosa, com acesso periférico ou central, onde por meio de um cateter passa a solução alimentar, com exclusão total do processo digestivo.

Em sua composição, podemos encontrar proteínas, carboidratos na forma de dextrose, emulsões lipídicas, minerais, vitaminas e eletrólitos, que contribuem para manter o bom estado nutricional do paciente.

Acesso periférico ou central?

Dependo da necessidade do paciente e a duração da terapia, a equipe pode escolher entre o acesso periférico ou central para prescrição da  dieta parenteral.

A nutrição parenteral periférica (NPP) é a via em que a solução alimentar é administrada diretamente por uma veia periférica, utilizada quando a NP terá curta duração (até 15 dias), pois não é suficiente para atingir as necessidades nutricionais diárias do paciente. O valor energético atingido, gira em entorno de 1.000 a 1.500 Kcal/dia e sua osmolaridade não ultrapassa 900 mOsm/L, devido ao risco de flebite. Ela pode ser usada em conjunto com a NE.

Já a nutrição parenteral total (NPT) é a terapia nutricional em que a solução alimentar é administrada diretamente por uma veia central (geralmente pela veia cava superior). Usualmente, a NPT é utilizada em paciente cuja duração da terapia será maior que 15 dias, sendo esta a única forma de alimentação recebida. Na dieta, é oferecido aporte proteico e energético total e sua osmolaridade pode ser superior a 1.000 mOsm/L.

Indicações da dieta parenteral

A dieta pode ser indicada a pacientes que estão com o trato gastrointestinal não funcionante, devido a uma obstrução ou inacessibilidade ao TGI, pressupondo que permanecerá nessa condição por um período superior a 7 dias ou com impossibilidade de manter a nutrição enteral.

A diretriz ESPEN (Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo) recomenda a NP após 24 a 48 horas em indivíduos com intolerância à NE e que não se espera que alcancem nutrição adequada dentro de 3 dias.

Já as diretrizes da ASPEN (Sociedade Americana de Nutrição Enteral e Parenteral) não recomendam iniciar NP antes de completarem 8 dias de internação, com exceção de pacientes que apresentem desnutrição na admissão hospitalar.

Além disso, há situações especificas em que NP é indicada, como podemos ver a seguir:

  • Diarreia persistente grave (Síndrome da má absorção);
  • Desnutrição grave em condições em que a NE não é possível;
  • Íleo paralítico;
  • Obstrução devido a uma neoplasia;
  • Repouso intestinal;
  • Vômitos intratáveis (comum em paciente com pancreatite aguda);
  • Sepse abdominal grave;
  • Não atender a 60% da necessidade de energia por > 4 a 5 dias;
  • Pré-operatório (quando há uma desnutrição grave e o procedimento não pode ser adiado).

No mais, a NP pode ser administrada de recém-nascidos a idosos, sendo responsabilidade da equipe avaliar caso a caso para a prescrição da dieta e minimizar risco de possíveis complicações.

Contraindicações da dieta parenteral

Quando se trata de pacientes criticamente enfermos a NP pode ser uma boa solução para manter o estado nutricional do paciente e consequentemente otimizar a sua recuperação.

No entanto, há algumas contraindicações a serem analisadas na hora de sua prescrição, como pacientes com alergia a qualquer um de seus componentes e na presença de hiperlipidêmica grave, distúrbios de coagulação do sangue, choque agudo e outras condições instáveis, ex. diabetes mellitus descompensado, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, e embolia.

Monitoramento e fatores a serem considerados na hora da prescrição da dieta parenteral

Já em relação a monitoramento, as principias diretriz recomendam que deve haver um acompanhamento continuo e constante até estabilização do paciente.

Veja também: Quais exames devem acompanhar de pacientes com nutrição enteral e parenteral?

Além disso, os possíveis efeitos adversos na dieta devem ser levados em consideração, como a síndrome de realimentação, infecções no local do cateter e do acesso venoso, trombose venosa, lesão vascular, e sangramento, sendo de suma importância o monitoramento por toda a equipe multidisciplinar.

No mais, é aconselhável a avaliação de cada caso, para a escolha da melhor forma de administração e consequentemente melhor o prognóstico do paciente criticamente enfermo.

 

Referência

CUPPARI, Lilian. Nutrição: clínica no adulto. 3. ed. São Paulo: Manole, 2014. 599 p. (Guias de Medicina Ambulatorial e Hospitalar da EPM-UNIFESP).

M.BERGER, Mette; CLAUDEPICHARD. When is parenteral nutrition indicated? Journal Of Intensive Medicine. [A.C], p. 1-4. jan. 2022.

SINGER, Pierre et al. ESPEN Guidelines on Parenteral Nutrition: intensive care. Clinical Nutrition. Europa, p. 387-400. ago. 2009.

Hamdan M, Puckett Y. Total Parenteral Nutrition. [Atualizado em 2 de janeiro de 2022]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK559036/.

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