O Ministério da Saúde lançou, em março de 2014, o programa “Estratégia de fortificação da…
O alinhamento entre cronotipo e horário das refeições pode ser a chave para otimizar a saúde cardiometabólica feminina.
A crononutrição é a ciência que estuda a interação entre o momento da ingestão de alimentos, os ritmos circadianos e o metabolismo. Nos últimos tempos, este campo tem ganhado destaque no cenário da saúde pública.
Já se sabe que os ritmos biológicos controlam processos fisiológicos, como a absorção e o metabolismo de nutrientes, e que a tolerância à glicose diminui à noite. Entretanto, a relevância do cronotipo individual (a predisposição inata para ser matutino ou vespertino) em conjunto com o horário das refeições ainda é pouco explorada.

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Nesse sentido, compreender como o horário e o consumo energético diário se relacionam com a saúde cardiometabólica em diferentes cronotipos pode fornecer informações valiosas para recomendações dietéticas personalizadas.
Uma recente investigação iraniana veio para preencher essa lacuna, com foco na saúde cardiometabólica feminina.
Metodologia: grupo matutino, intermediário e vespertino
Foi realizado um estudo transversal com 574 mulheres saudáveis, com idades entre 20 e 60 anos, e IMC entre 18,5 e 39,9 kg/m².
A amostra final foi classificada em três grupos de cronotipo com base no Questionário Matutino-Vespertino (MEQ):
- M-type ou matutino (n=268)
- Intermediário (n=199)
- E-type ou vespertino (n=107)
A ingestão dietética foi avaliada por meio de três recordatórios alimentares de 24 horas, em dias não consecutivos.
A definição dos principais horários de refeição foi a seguinte
- Café da manhã como a principal refeição consumida entre 5h e 11h;
- Almoço como o que foi consumido entre 11h e 16h;
- Lanches da tarde como o que foi consumido entre 16h e 18h;
- Jantar como o que foi consumido após as 18h e se estendeu até o início da manhã.
Além disso, definiu-se como “janela alimentar” o número de horas entre a primeira e a última refeição em um determinado dia.
Os desfechos cardiometabólicos incluíram:
- Razão TG/HDL e a razão CT/HDL como preditores de risco cardiovascular
- HOMA-IR (resistência à insulina) e HOMA-IS (sensibilidade à insulina)
Também foram coletados dados de adiposidade, pressão arterial e outros parâmetros bioquímicos.
Grupo vespertino: maior IMC e risco cardiometabólico
Os resultados revelaram associações distintas entre o horário das refeições e a saúde cardiometabólica, predominantemente no grupo vespertino.
Em comparação com o grupo matutino, as mulheres vespertinas apresentaram uma tendência a ter um IMC e outros índices de adiposidade ligeiramente mais elevados, além de um maior risco cardiometabólico, evidenciado por taxas lipídicas elevadas, tendência a maior resistência à insulina, e maior pressão arterial diastólica nos modelos ajustados.
Nesse sentido, as vespertinas demonstraram maior ingestão energética total, além de consumirem significativamente mais energia no jantar e lanches da tarde. Além disso, o cronotipo vespertino mostrou uma janela alimentar mais longa.
Apenas a ingestão energética no almoço não diferiu significativamente entre os grupos.
A importância do horário das refeições
Café da manhã e pressão arterial
No grupo vespertino, uma maior ingestão de energia no café da manhã foi associada a uma redução na pressão arterial.
No entanto, a relação não foi puramente linear: o estudo encontrou uma associação em forma de “U” entre o consumo de energia no café da manhã e a PAS em mulheres vespertinas. Este achado sugere que tanto a ingestão baixa quanto a muito alta no café da manhã podem estar ligadas a resultados desfavoráveis.
O ponto ideal foi uma ingestão de café da manhã de 23% da ingestão energética total, que foi associada aos níveis mais favoráveis de PAS.
Lanche da tarde, adiposidade e inflamação
A ingestão moderada de energia à tarde revelou-se benéfica. Uma maior ingestão de energia à tarde foi associada a menor IMC no grupo vespertino e menor hs-CRP (marcador inflamatório) no grupo vespertino e intermediário.
Associações indicaram que uma ingestão de lanche da tarde correspondente a 12 a 13% da ingestão energética total esteve relacionada aos menores níveis de IMC e hs-CRP. Esses achados indicam que a ingestão excessiva de energia no período da tarde pode ter efeitos adversos na saúde metabólica.
Jantar e janela alimentar
O consumo de energia no jantar foi linearmente associado a um aumento no IMC tanto em indivíduos no grupo intermediário quanto no vespertino.
Além disso, uma janela alimentar mais longa foi associada a um aumento da glicemia de jejum no grupo vespertino.
Não foram observadas associações significativas entre o número de refeições e a saúde metabólica.
O que levar para a prática clínica?
Como visto, mulheres com cronotipo vespertino apresentaram maior ingestão total de energia, particularmente durante o jantar, o que foi associado a resultados metabólicos adversos.
Em contraste, a ingestão moderada de energia no café da manhã e à tarde foi associada a resultados mais favoráveis, incluindo menor IMC e redução da inflamação, especialmente em mulheres vespertinas.
Para nutricionistas, as recomendações dietéticas devem ser personalizadas ao cronotipo do paciente:
- Priorizar o início do dia: incentivar o consumo de um café da manhã de energia moderada (cerca de 23% da energia diária), especialmente para vespertinos, como uma estratégia para gerir a pressão arterial.
- Valorizar a tarde: promover a ingestão de energia no lanche da tarde, (cerca de 12-13% da energia diária), para melhores indicadores de adiposidade e inflamação.
- Reduzir o jantar e a janela alimentar: reduzir a ingestão de energia no jantar e manter uma janela alimentar mais curta pode ser uma estratégia eficaz para melhorar a glicemia de jejum e o IMC no cronotipo vespertino.
Segundo os autores, são necessárias mais pesquisas para validar essas associações em populações maiores e mais diversas, a fim de fortalecer a generalização das descobertas e apoiar o uso mais amplo de abordagens crononutricionais em estratégias de saúde preventiva.
Para ler o artigo científico completo, clique aqui.
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Referência:
Lesani, A., Soveid, N., Clark, C.C.T. et al. Chronotype-specific associations of meal timing patterns with cardiometabolic health in women: a cross-sectional study. Nutr Metab (Lond) 22, 96 (2025). https://doi.org/10.1186/s12986-025-00985-2
A Redação Nutritotal PRO é formada por nutricionistas, médicos e estudantes de nutrição que têm a preocupação de produzir conteúdos atuais, baseados em evidência científicas, sempre com o objetivo de facilitar a prática clínica de profissionais da área da saúde.
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