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Tratamento Comportamental Familiar para Obesidade Infantil

Postado em 3 de junho de 2024

Estratégias comportamentais, em que a família também se envolve, pode ajudar na perda de peso em crianças com obesidade infantil.

Não são raros os casos em que a obesidade está presente em mais de um membro da família. No caso da obesidade infantil, é comum que os pais, e até irmãos, também sofram com a doença. 

Sabendo disso, o tratamento comportamental familiar é amplamente recomendado pelas diretrizes de obesidade. Entretanto, essa intervenção enfrenta uma limitação importante: geralmente, ela é oferecida em clínicas especializadas, mas poucos em ambientes de cuidados primários (devido a baixa disponibilidade de profissionais especialistas em comportamento).

tratamento comportamental para obesidade infantil

Fonte: Canva.com

Recentemente, um estudo inovador foi conduzido para preencher essa lacuna. O objetivo principal foi avaliar os efeitos de um tratamento baseado na família para crianças com sobrepeso ou obesidade, implementado em ambientes de atenção primária pediátrica. Será que essa estratégia foi mesmo eficaz?

Metodologia do estudo

O estudo americano “Primary Care Pediatrics, Learning, Activity, and Nutrition With Families” (PLAN) foi um ensaio clínico randomizado, envolvendo 452 crianças de 6 a 12 anos com sobrepeso ou obesidade, além de seus pais e 106 irmãos de 2 a 18 anos.

As famílias foram distribuídas aleatoriamente em dois grupos:

  • Cuidados habituais (n=226)
  • Tratamento comportamental familiar (n=226)

O tratamento comportamental para obesidade infantil utilizou uma variedade de técnicas para promover alimentação saudável, atividade física e comportamentos parentais. As famílias foram atendidas em sessões individuais que incorporaram:

  • Pesagem de pais e filhos
  • Revisão da alimentação 
  • Automonitoramento de atividades em livros de hábitos
  • Revisão de mudança de peso 
  • Resolução de problemas 
  • Estabelecimento de metas para a próxima reunião 
  • Revisão de manuais e apostilas de tratamento

O objetivo era que as famílias participassem de 26 sessões durante 24 meses, mas a frequência poderia ser maior ou menor com base no progresso da família. 

Os profissionais envolvidos não possuíam competências prévias em mudanças de comportamento, mas foram treinadas com sucesso para realizar a intervenção em ambientes de cuidados primários pediátricos

Crianças, pais e irmãos perderam peso

O principal achado deste estudo foi que as crianças que receberam o tratamento comportamental familiar apresentaram uma redução significativa na porcentagem acima da mediana do IMC em comparação com aquelas que receberam cuidados habituais. 

Aos 24 meses, a diferença na variação percentual acima da mediana do IMC foi de -6,21% a favor do grupo de tratamento familiar.

Além disso, quase três vezes mais crianças que receberam tratamento familiar obtiveram um resultado de peso clinicamente significativo em comparação com aquelas que receberam cuidados habituais (27,0% vs 9,3%).

Em termos mais simples, crianças sob tratamento comportamental para obesidade infantil perderam mais peso do que aqueles sob cuidados habituais

Ademais, os pais e irmãos também mostraram melhorias significativas no IMC. As mudanças foram evidentes já aos 6 meses e foram mantidas ao longo dos 24 meses de acompanhamento. 

Em análises longitudinais aos 6 meses, o tratamento familiar foi associado a uma diminuição familiar geral de 3,5% acima da mediana do IMC, em comparação com um aumento de 1,7% no grupo de cuidados habituais.

O que podemos concluir?

A pesquisa demonstrou que o tratamento comportamental familiar pode ser uma solução prática e eficaz para combater a obesidade infantil em ambientes de cuidados primários, beneficiando não apenas as crianças, mas toda a família.

Para ler o artigo científico completo, clique aqui.

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Referência: 

Epstein LH, Wilfley DE, Kilanowski C, et al. Family-Based Behavioral Treatment for Childhood Obesity Implemented in Pediatric Primary Care: A Randomized Clinical Trial. JAMA. 2023;329(22):1947–1956. doi:10.1001/jama.2023.8061

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