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Obesidade infantil – O que está por trás da condição

Postado em 23 de maio de 2022 | Autor: Diniz SM, et al.

Herança genética, sedentarismo e publicidade infantil estão entre os fatores de risco da obesidade em crianças.

A Obesidade é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a maior epidemia de saúde pública mundial. Nos últimos tempos, esta condição vem afetando crianças de forma cada vez mais precoce: globalmente, estima-se que 40 milhões de crianças com menos de 5 anos já estão em sobrepeso. Neste artigo, reunimos as principais temáticas relacionadas à obesidade infantil; confira a seguir.

obesidade infantil

Fonte: Canva

Quais fatores influenciam a obesidade infantil?

A etiologia da obesidade infantil é multifatorial. Portanto, há interação entre fatores genéticos, metabólicos, nutricionais, psicossociais, ambientais e de estilo de vida. Desse modo, os principais fatores de risco para o desenvolvimento da condição incluem:

  1. Ancestralidade e ambiente familiar

Em termos de herança genética, filhos de pais obesos possuem chances maiores de desenvolver sobrepeso ou obesidade. Aliado a isso, hábitos alimentares inadequados dos pais costumam ter grandes reflexos na alimentação da criança.

  1. Condição socioeconômica e acessibilidade

Alimentos de baixa qualidade nutricional, com grandes teores de sal, açúcar e gorduras, porém altamente palatáveis (ultraprocessados), são facilmente encontrados a preços acessíveis por todos os lugares.

Enquanto isso, uma dieta equilibrada (contendo fontes de proteínas animal, grãos integrais, cereais, frutas, legumes, sementes, oleaginosas e etc) pode ser difícil de se manter financeiramente. Ademais, esses alimentos podem não ser facilmente encontrados em áreas de desertos alimentares, onde o acesso a ingredientes in natura é escasso ou totalmente nulo.

  1. Sedentarismo

Com o advento tecnológico das últimas décadas, crianças e adolescentes passaram a se exercitar menos, devido ao tempo gasto assistindo televisão, jogando videogames, navegando pela internet, etc. Assim, reduz-se o tempo gasto em atividades e brincadeiras com maior dispêndio energético, contribuindo para estilo de vida sedentário.

Aliado a isso, a estrutura de bairros e cidades pouco propícias à atividades físicas, bem como os altos índices de violência urbana, contribuem ainda mais para o aumento do sedentarismo.

  1. Publicidade infantil

Apesar de ilegal no Brasil, muitas empresas ainda praticam a publicidade infantil. As propagandas mais direcionadas às crianças incluem: cereais açucarados, refrigerantes, guloseimas e doces, salgadinhos e fast-food.

Além disso, tais campanhas se utilizam de estratégias para induzir o desejo nos infantes, tais como uso de personagens, oferta de brinquedos colecionáveis, divulgação através de influenciadores mirins, dentre outros.

  1. Outros

Outros fatores que contribuem para a obesidade infantil incluem sono inadequado, saúde mental afetada, ausência ou inadequação do aleitamento materno nos primeiros anos de vida, e influência do ambiente escolar.

 

Obesidade infantil e impactos na saúde

Por si só, a obesidade infantil é fator de risco para o desenvolvimento de diversas outras questões de saúde na criança, durante a infância ou ao decorrer da vida adulta, dentre elas:

Além disso, também acarreta efeitos psicossociais negativos, incluindo baixa autoestima, distúrbios alimentares, vergonha social, ansiedade e depressão.

 

Como tratar a condição?

O combate à obesidade infantil requer uma abordagem multifacetada:

  1. Tratamento dietoterápico

O tratamento nutricional deve contemplar uma dieta balanceada, com distribuição adequada de macro e micronutrientes. Se houver presença de comorbidades associadas, o tratamento dietoterápico especializado também deve estar presente.

A transição deve ocorrer de maneira gradativa e em conjunto com o paciente e a família. Neste sentido, a educação alimentar e nutricional é de fundamental importância.

Dietas rígidas e extremamente restritivas não são recomendadas, pois podem levar à diminuição da velocidade de crescimento, à redução da massa muscular e problemas psicológicos.

  1. Atividade física

O incentivo à prática de exercícios divertidos e adequados para a idade é imprescindível, aliado à uma diminuição no tempo de tela (que deve ser de, no máximo, 2 horas por dia). Desse modo, deslocamento a pé ou de bicicleta, brincadeiras ao ar livre e esportes diversos são recomendados.

  1. Outros tratamentos
  • Promover o sono adequado (10 a 13 horas para pré-escolares e 8 a 10h para adolescentes);
  • Cuidado psicológico, para promover a saúde mental;
  • Medicações e/ou cirurgias, em casos mais graves.

Por fim, numa perspectiva macrossocial e a longo prazo, é necessário a promoção de programas governamentais e abrangentes que atuem na promoção de ambientes alimentares saudáveis.

 

Leia mais sobre o assunto em:

Vamos prevenir a obesidade infantil – Nutritotal PRO

Obesidade Infantil: estratégias para prevenção e cuidado – Nutritotal PRO

Entenda a importância e necessidade da nutrição infantil – Nutritotal PRO

 

Referências:

BRADWISCH, Sarah A. et al. Obesity in children and adolescents: An overview. Nursing. 2020, v. 50, n. 11, p. 60-66, 2020.

Sociedade Brasileira de Pediatria. Obesidade na infância e adolescência: Manual de Orientação – 3ª edição revisada e ampliada. Departamento Científico de Nutrologia. São Paulo, 2019.

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